Um dos momentos mais esperado de ‘Vale Tudo’ começou a ir ao ar no final do capítulo desta quarta, 1º de outubro, quando Heleninha bateu de frente com Odete Roitman.
No remake de Manuela Dias, a personagem de Paolla Oliveira colocou a mãe (Débora Bloch) contra a parede após descobrir o segredo sobre Leonardo e a ligação dela com Ana Clara (Samantha Jones).
Odete, como de costume, manteve-se fria e calculista, quase como uma rocha, tentando não deixar escapar nenhuma emoção. Mas será que ela conseguirá sustentar essa postura? A vilã vivida por Beatriz Segall não conseguiu!
A cena, no entanto, é um espelho do clássico embate exibido em 1988, quando Odete Roitman e Heleninha (Renata Sorrah) protagonizaram um dos diálogos mais emocionantes da teledramaturgia. Na ocasião, Leonardo havia morrido, e embora não tivesse culpa no acidente, Heleninha se afundava no alcoolismo, carregando um peso que não era seu.
Após uma reunião na TCA, Odete tenta escapar das acusações da filha. "Não estou em condições de responder nada", diz a empresária, tentando cortar a conversa.
Mas Heleninha não se deixa intimidar: "Por que você nunca conseguiu gostar de mim (…)? Uma criança sente as coisas. Percebe. Você nunca teve amor por mim. Me dava milhares de brinquedos, montanhas de roupas de Paris. Festas de aniversário alucinantes, mas você nunca gostou de mim".
Em seguida, o desabafo se aprofunda: "Você quase não me beijava. Você nunca me colocou no colo. Não me lembro de uma história que você tenha me contado, de nenhuma canção que tenhamos cantado juntas.". Na versão de 1988, Odete finalmente deixa a máscara de ferro cair e se entrega em lágrimas, algo sutilmente realizado pelo papel de Débora Bloch.
A toda-poderosa ainda tentou se justificar, na dramática cena de 37 anos atrás: "Tudo o que fiz foi por amor. Para defender a minha família, essa família infeliz que o destino me deu. Um marido que eu tinha que carregar por detrás para as pessoas pensarem que ele estava de pé. Uma filha bêbada, seu irmão, um eterno adolescente."
E continua, em sua justificativa: "Eu sou o pilar dessa família. Eu sou a estrutura que mantém tudo isso de pé. Pelo bem de todos os Roitmans. Eu tinha que me manter íntegra, sair incólume desse escândalo todo. Bêbados batem o carro toda hora. Eu tinha que chegar inteira até aqui para que vocês todos pudessem chegar inteiros também".
O peso emocional da sequência foi tão grande que a própria Beatriz Segall admitiu, anos depois, ter sentido dificuldade em gravar. Ela fez questão de destacar o talento de Renata Sorrah naquela cena.
"A Renata fez uma coisa muito inteligente: falou num tom sem raiva, sem ódio, só com uma certa mágoa dizendo para a mãe tudo o que ela tinha sofrido na infância. Quando ela terminou a cena, eu estava debulhada em lágrimas", disse a saudosa atriz.